Ao mencionar ser científico e não filosófico eu estava me
referindo à expansão do Universo e não ao surgimento do grão que começou a
expandir. A ciência não tem explicação para o surgimento desse grão, por
enquanto. Isto não significa que não seja possível obter esta explicação. Os
argumentos que eu teci nas postagens acima são filosóficos e, em parte,
científicos, mas não explicam o surgimento. Apenas mostram que explicações são
inadequadas e que a explicação do surgimento expontâneo (dito “do nada”) não é
inadmissível, mas não o garante. A teoria do Big Bang não é uma teoria sobre a
origem do Universo e sim sobre sua evolução. É uma teoria científica bem
assentada, como o é a teoria da evolução das espécies. Cosmologia envolve
ciência e filosofia, como pode ser visto em tudo o que argumentei. A questão é
que a filosofia também precisa ter seus argumentos aferidos pelo critério de
confrontação com a verdade dos fatos, verificada por evidências e provas. A
diferença está no método de obtenção de suas assertivas. Enquanto a ciência usa
a observação, a experimentação e a matemática para propor hipóteses a serem
testadas, a filosofia usa a especulação e a reflexão, mas sempre com base em
indícios fortemente respaldados pela verdade dos fatos. O surgimento da física
quântica e da relatividade abalou muitos pressupostos bem estabelecidos, que se
baseavam em dados tirados da vivência cotidiana. Do mesmo modo os microscópios
e telescópios derrubaram inúmeros conceitos errôneos de interpretação do mundo
que alicerçavam as especulações filosóficas. Assim, do mesmo modo que a ciência
não pode prescindir da filosofia, esta também não pode prescindir da ciência,
ambas atuando em um processo de retroalimentação dialética.
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